Tempos de Cólera

Rosalía de Castro

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Probe Galicia, non debes
chamarte nunca española
Qu'España de ti s'olvida
cando eres ¡ai! tan hermosa.


O primeiro poema que Rosalía publicou em galego saiu à luz em 1861. O mesmo parte da quadra popular: “Adeus, rios; adeus fontes; adeus, regatos pequenos; adeus, vista dos meus olhos; não sei quando nos veremos”. E continua com os versos:


“Minha terra; minha terra,


terra onde me eu criei,


hortinha que quero tanto,


figueirinhas que plantei.


Prados, rios, arvoredos,


pinheirais que move o vento,


passarinhos piadores,


casinha do meu contento.


Moinho dos castanhais,


noites claras de luar


sinozinhos timbradores


da igrejinha do lugar.


Amorinhas das silveiras


que eu lhe dava ao meu amor;


caminhinhos entre o milho,


adeus para sempre, adeus!


Adeus glória, adeus contento!


Deixo a casa onde nasci,


deixo a aldeia que conheço,


por um mundo que não vi.


Deixo amigos por estranhos,


deixo a veiga pelo mar;


deixo, enfim, quanto bem quero…


Quem pudera não deixar!…


(…)


Não me esqueças, queridinha,


se a saudade me matar…


Tantas léguas mar adentro…


Minha casinha, meu lar!”


Nota: O poema completa-se com outras 8 estrofes. É muito lindo escutá-lo cantar por Amáncio Prada.


*


Do poemário Folhas Novas, o poema “Negra sombra”:


“Quando penso que te foste,


ao pé do meu travesseiro


tornas fazendo-me troça.


Quando imagino que és ida,


no sol mesmo te me mostras,


e tu és a estrela que brilha,


e tu és o vento que zoa.


Se cantam és tu que cantas;


se choram és tu que choras;


e és o murmúrio do rio


e és a noite e és aurora.


Em tudo estás e tu és tudo,


p´ra mim e em mim mesma moras,


nem me abandonarás nunca,


sombra que sempre me assombras.”


*


CANÇÃO DE NINAR


Para Rosalía de Castro, morta


Ergue-te, minha amiga,
Que já cantam os galos do dia!
Ergue-te, minha amada,
Porque o vento muge como uma vaca!

Os arados vão e vêm
De Santiago a Belém.

De Belém a Santiago
Um anjo chega num barco.
Um barco de prata fina
Trazendo a dor de Galícia.

Galícia deitada e queda
Transida de tristes ervas.
Ervas que cobrem teu leito
E a negra fonte dos teus cabelos.
Cabelos que vão ao mar
Onde tem as nuvens ninho pombal!

Ergue-te, minha amiga!
Que já cantam os galos do dia!
Ergue-te, minha amada
Porque o vento muge como uma vaca!

Frederico Garcia Lorca


______


Rosalía de Castro (Santiago de Compostela, 23 de Fevereiro de 1837 - Padrón, 15 de Julho de 1885)


Escritora galega. Descendente, por parte de sua mãe, de uma família da velha nobreza, o facto de ser filha ilegítima de um sacerdote marca-a profundamente desde muito jovem. Escreve em galego e em castelhano e acaba por se tornar um elemento preponderante do «Resurdimento Galego». Aos vinte anos publica “La flor”, seu primeiro livro de versos.


A ver: http://www.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/espanha/rosalia_de_castro.html


https://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/14954/1/Joao%20Sousa%20-%20Construçao%20simbolo%20patria.pdf

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