
(A oposição reclamava a demissão do ministro…, mas do governo PSD/PP, estávamos em 2012. Miguel Relvas viu-se envolvido em polémica quando foi conhecido que a sua licenciatura foi conseguida através da concessão de 160 créditos; um segundo caso marcante foi o caso das “Secretas”, que foi espoletado por uma notícia do “Público”, onde o jornal avançava que Miguel Relvas teria recebido um “e-mail” do ex-director do SIED, Jorge Silva Carvalho, com propostas de nomes para as secretas. Outro caso foi o nome de Miguel Relvas ter sido associado a alegadas pressões ao jornal “Público”, ameaçando com boicote de todos os membros do Governo ao jornal e divulgação de detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira).
A crónica era a seguinte:
Demissão ou não demissão, eis a questão. A esta, por exemplo, o secretário-geral da CGTP, em vez do PCP e não só, exige a demissão do ministro Relvas, porque o “caso Relvas/Público” é um "mau sinal" para a democracia portuguesa. Assim a dita “oposição de esquerda” sintetiza o “tão polémico” caso de ingerência e pressão, quanto à liberdade de expressão, sobre a pessoa da jornalista do jornal que é propriedade de um dos maiores capitalistas nacionais e que, apesar de dar prejuízo, o tem mantido a fim de “fazer” opinião.
Quanto ao governo não se trata de demitir este ou aquele ministro mais mafioso ou mais ignorante, mas de todo o governo pela razão da sua política. Substituir o ignorante e desastrado ministro do pastel de nata, ultimamente também conhecido pelo ministro do “coiso”, e/ou prescindir dos préstimos mafiosos do ministro Relvas, e/ou demitir ou diminuir os poderes do Gasparzinho, super-ministro das Finanças e apontado como um novo Salazar já que o percurso é bastante semelhante, não vai alterar o caminho ou a política deste governo fascista, que tem sido o melhor comité dos negócios dos banqueiros e o mais vendido aos interesses estrangeiros até hoje constituído.
O problema resolve-se com a demissão, ou, melhor ainda, com o derrube de todo o governo e realização de novas eleições. A política de austeridade contra ao povo irá intensificar-se, estando aí os comissários da troika a aplaudir o que se tem feito, mais o Conselho das Finanças Públicas (CFP) a alertar que as previsões feitas pelo governo “parecem basear-se em hipóteses excessivamente optimistas” (o défice do subsector estado atingiu, em Abril, os 3059 milhões de euros, mais 600 do que no mesmo período de 2011, por força da diminuição da receita fiscal e aumento da despesa), e mais as previsões pessimistas da OCDE que adiantam que Governo terá de implementar novas medidas de austeridade, para além, como é obvio, das que já estão previstas no programa da troika. O caminho que estamos agora a trilhar será o mesmo seguido até ao momento pelo povo grego, levamos apenas algum tempo de atraso, contudo não demorará muito para o alcançar e até para o ultrapassar. Dêem tempo ao tempo, como se costuma dizer.
Por outro lado, pouco interessa saber quem pressiona quem. Se, de um lado, se encontra um ministro mafioso, considerado o homem forte do governo na medida em que aparente ser o mais influente, com ligações à maçonaria e ao mundo dos negócios; do outro, temos uma imprensa ao serviço do grande capital económico privado, que constantemente falsifica a realidade, nomeadamente quanto à natureza e responsabilidade da presente crise económica e financeira, que sempre cala a voz dos mais explorados e que é, quanto muito, objecto de tentativa de controlo por parte do governo que, à semelhança dos anteriores “socialistas”, não gosta de vozes discordantes.
Este caso, bem como o outro “caso das secretas” com que está relacionado, apenas revela as contradições e as disputas entre as diversas facções da classe dominante que se digladiam entre si pela repartição do bolo, resultante da exploração dos trabalhadores e do saque dos bens públicos, utilizando no conflito os próprios meios e instrumentos do estado, como são os diversos serviços secretos de espionagem que, por serem perfeitamente dispensáveis numa perspectiva dos interesses do povo português, há muito que deveriam ter sido extintos.
Nenhum dos contendores se interessa pelos problemas dos que trabalham e nem pela verdade dos factos, estes são quase sempre “adaptados” aos interesses ou do poder económico, ou do poder político. Perante esta realidade, não deixa de ser curioso que pessoas, como o secretário-geral da CGTP e outros que pululam pela área da opinação de capa mais “democrática”, se preocupem com esta democracia que nunca deu nada aos trabalhadores e por tricas que, em termos mediáticos, visam distrair a atenção dos que verdadeiramente são obrigados a pagar a crise e pela qual não são responsáveis nem contribuíram minimamente.
A única responsabilidade destes últimos é ainda não terem espatifado com este sistema de exploração e terem acreditado nesta democracia do faz de conta, que serve para encobrir uma realidade bem mais crua, a vida dos que sofrem os baixos salários, a precariedade, as reformas de miséria, o desemprego e a terminal exclusão social, ou seja, todos os deserdados de uma sociedade em profunda convulsão.
24 de Maio 2012
Sinopse dos casos de Miguel Relvas:
Miguel Relvas viu-se envolvido em polémica quando foi conhecido que a sua licenciatura foi conseguida através da concessão de 160 créditos, ou seja, teve equivalência a 32 das 36 cadeiras, o que significa que teve equivalências a 90% das cadeiras do curso de Ciência Política e Relações Internacionais, na Universidade Lusófona, em 2006;
Um segundo caso marcante foi o caso “Secretas”, que foi espoletado por uma notícia do “Público”, onde o jornal avançava que Miguel Relvas teria recebido um “e-mail” e algumas mensagens escritas do ex-director do Sistema de Informações Estratégicas e de Defesa (SIED), Jorge Silva Carvalho, com propostas de nomes para as secretas. Estas propostas foram enviadas depois das eleições legislativas de 2011, altura em que Jorge Silva Carvalho já pertencia à empresa Ongoing.
O nome de Miguel Relvas ficou também associado ao caso das alegadas pressões ao jornal “Público”. O ministro demissionário terá ameaçado promover um boicote de todos os membros do Governo ao jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira. Em causa estaria a publicação de uma notícia que detalhava algumas contradições de declarações proferidas na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias sobre o caso das “secretas”.
Uma das mais recentes polémicas que envolveu o “braço direito” de Passos Coelho foi quando o jornal “Público” noticiou que a empresas Tecnoforma, gerida pelo actual primeiro-ministro, teria beneficiado de financiamentos através do programa Floral, que era da competência de Miguel Relvas – na altura secretário de Estado da Administração Local no Executivo liderado por Durão Barroso.
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