
Com esta cronologia sobre os acontecimentos que marcaram os últimos anos do regime fascista, visamos mostrar que, quando se dá o golpe de 25 de Abril de 1974, o regime já se encontrava completamente minado pela luta revolucionária dos operários e da juventude e que essa intervenção antecipada no tempo apenas visou impedir que o poder caísse na rua e o povo tomasse conta da situação.
Os partidos trazidos para o poder pelo MFA, e o próprio, pretendiam que o povo ficasse pacificamente em casa ou nos locais de trabalho, deixando os novos senhores a governar à sua vontade. Não foi isso que aconteceu, os operários vieram para a rua, ocuparam as empresas, reclamaram o poder político, embora não tivessem uma consciência perfeitamente clara disso. Se a revolução falhou, um balanço se impõe e as devidas ilações devem ser retiradas.
- 1969. Inauguração do novo edifício das Matemáticas da Universidade de Coimbra. Presença do fascista Tomás contestada. 17 de Abril e os acontecimentos precipitam-se. Repressão pela polícia de choque. Greve às aulas. Ocupação policial das instalações universitárias. O regime é abertamente contestado, nas assembleias magnas, nas paredes, no Estádio Nacional, onde a Académica disputa a final da Taça, vêem-se as palavras de ordem: “Ensino para Todos”, “Universidade Livre”. É a Crise Académica de 69.
- 19 de Fevereiro de 1971 - A luta contra a guerra colonial. Surgem os CLAC's (Comités de Luta Anti-Colonial). No dia anterior, algumas dezenas de soldados, com 17 meses de serviço militar, recusam-se a embarcar para a Guiné.
- 1971, ANO DE IMPORTANTES LUTAS OPERÁRIAS – Greves: Firestone (Alcochete); Lisboa e Sacavém (impedimento de saída dos soldados em alguns quartéis); Cabo Ruivo (fábrica Barros Henriques); Ovar (Rabor); manifestação dos “caixeiros” frente a S. Bento reprimida pela polícias com dezenas de feridos – pressionados pelo acelerar vertiginosos do custo de vida, os trabalhadores lutam pelo aumento geral dos salários e contra os despedimentos.
- Luta estudantil: Coimbra (prisão de 30 estudantes e encerramento da AA-C); Lisboa (dirigentes associativos presos e instalações de diversas faculdades invadidas pela PSP) – luta-se contra a repressão e contra a guerra colonial, luta-se contra a reforma fascista do ensino conduzida pelos “liberais” e “tecnocratas” com o ministro Veiga Simão à frente.
- 1º de Maio de 1971: uma grande jornada de luta contra a repressão fascista, pela liberdade e democracia; contra a exploração capitalista na fábrica e no campo; contra a guerra colonial e o imperialismo.
- 21 de Maio: Nas oficinas dos TLP, operários insurgem-se contra a tentativa da administração da empresa de os transferir para instalações para fora de Lisboa (Venda Nova).
- Luta nas escolas, 25 de Maio: greve geral e boicote às aulas dos estudantes de Ciências (Lisboa) como resposta à repressão exercida pela polícia, Pide e legião no prosseguimento de uma campanha de agitação de rua levada a cabo pelos estudantes.
- Repressão nos quartéis: Escola Prática de Cavalaria em Santarém; Escola Prática de Infantaria em Mafra; RI 7 de Leiria.
- 4 de Junho de 1971 : 4 milicianos (cadetes) morrem afogados na instrução em Mafra.
- Luta nas OGMA: Nascem os Comités Operários (CO). O C.O. (Do comunicado nº.2 do C.O.) mostra como está intimamente ligada a luta contra a repressão na fábrica e a luta contra a guerra colonial - o P”C”P promove piqueniques com a administração e encarregados ,- precisamente numa das fábricas mais estratégicas para o regime.
- “RESISTÊNCIA” (Órgão da RPAC): “Guerra à guerra!” – “deve ser a palavra de ordem de todos os núcleos de resistência anti-colonial e de todos os militares revolucionários...
- “Tráfico de carne humana” - 29 de Julho de 1971, o sr. Jacques W. Tihé, obscuro funcionário do governo francês, desce em Lisboa trazendo na pasta “novos” acordos sobre a emigração.
- Dec.-Lei nº 520 (24 de Novembro de 1971) – Rapazote, ministro do Interior, prepara o desencadear da repressão fascista sobre o movimento cooperativista.
- Dezembro de 1971 – Cimeira nos Açores: Nixon, Pompidou encontram-se nos Açores para discutir a melhor maneira de dividir entre si as presas, são recebidos pelo lacaio Marcelo.
1972 - A LUTA CONTRA O REGIME FASCISTA INTENSIFICA-SE nas diversas frentes, as lutas e as greves aumentam em número e em intensidade.
- 25 de Fevereiro de 1972: Jornada de Luta Contra a Guerra Colonial-imperialista . Desde o princípio do ano intensamente convocada pelos CLAC's e pelo Movimento Popular Anti-Colonial (MPA-C), através de publicações e de inscrições. Na madrugada do dia 25, a Praça do Chile em Lisboa é ocupada pela polícia de choque, pides, legionários e outros bufos à paisana; perante este aparato, cerca de um milhar de pessoas concentra-se nas imediações mas não conseguem arrancar em manifestação, mas não se desiste, uma nova concentração arranca na Estefânia dirigindo-se até ao Saldanha, percorre algumas artérias, dispersa-se por fim na Avenida da República, pelo caminho montras de bancos e do “Pão de Açúcar” são destruídas e a repressão não a consegue deter.
- Porto, 15 de Abril: alguns milhares de manifestantes protestam contra a carestia de vida, o aumento dos transportes, das rendas de casa. A polícia reprime.
- Coimbra, 13 de Maio: os estudantes contestam e boicotam as reaccionárias celebrações da “Queima das Fitas”.
- Lisboa, 11, 16 e 17 de Maio: Estudantes, cooperativistas e trabalhadores manifestam-se contra a guerra colonial, a polícia invade o IST e o ISCEF – em ambas as intervenções a polícia sofre alguns feridos.
- 1º de Maio de 1972 : dia de luta e de revolta. Convoca-se o 1º de Maio dia de greve. Cerca de 50% do Orçamento é dedicado à defesa, a GNR reprime os protestos de trabalhadores na Lisnave (Cacilhas), Siderurgia Nacional (Seixal), CUF (Barreiro) e CPE (Carregado) – a camarilha marcelista procede à militarização da sociedade portuguesa; em Campolide, no Lumiar, Olivais e Aeroporto, barracas são destruídas pela polícia durante a noite e os trabalhadores do Hospitais Civis de Lisboa são colocados sob controlo militar.
- Farsa da “eleição” presidencial, em 25 de Julho de 1972: o caquético e imbecil Tomás é, outra vez, o único candidato.
- Greve na fábrica Hipólito e lutas na MAGUE, na Previdente em Alhandra, Progresso em Alcântara, Nitratos em Alverca, CUF e NOALI no Cartaxo e dos operários vidreiros na Marinha Grande.
- Nova Lei de Imprensa é publicada pelo governo marcelista - Lei que abrange tudo o que é escrito e publicado, livros, revistas, jornais, e as pessoas e empresas que os escrevem e publicam.
- 12 de Outubro de 1972: É assassinato pela Pide o estudante de direito, Ribeiro Santos - greve e manifestações estudantis. O 12 de Outubro marca o princípio do fim irreversível do fascismo, daqui para a frente nada fica na mesma. A situação fica incontrolável, primeiro nas escolas, depois nas fábricas.
- 24 a 27 de Dezembro, luta nas prisões - greve de fome do nacionalista moçambicano Domingos Arouca e do Presidente Honorário do MPLA, Joaquim Pinto de Andrade.
- A Manifestação do Rato, 30 e 31 de Dezembro de 1972 – Cerca de três centenas de manifestantes concentraram-se na Igreja do Rato, em Lisboa, para protestarem contra a odiosa guerra colonial, onde foram aprovadas moções de apoio à luta de libertação nacional dos povos de Angola, Moçambique e Guiné, mantendo uma greve de fome até à investida da Pide que, com a bênção do Patriarcado, invadiu a Igreja e prendeu um grande número de manifestantes.
- 1973 COMEÇA COM GREVES: Luta dos operários da Fábrica de Papel da Abelheira, da Gialgo no Porto, e da fábrica “Cerâmica do Centro” em Leiria: cerca de 1 000 operários ficam desempregados devido ao encerramento destas unidades industriais.
- Amílcar Cabral, fundador e secretário-geral do PAIGC, é assassinado de forma cobarde e traiçoeira pela Pide, 20 de Janeiro de 1973.
- Praça do Chile, Lisboa, 9 de Fevereiro, 1973 - uma vigorosa campanha de agitação e propaganda denunciado este novo crime do colonialismo português culmina como uma concentração de mais de 2000 mil pessoas que, resistindo com firmeza às agressões policiais, consegue romper em manifestação pela Rua Morais Soares acima, levando à frente um cartaz que dizia “VIVA AMILCAR CABRAL”.
- Prosseguindo as Jornadas Anti-colonialistas , nova Jornada de Luta do Povo Português contra o Colonialismo , convocado pelo MPAC, agora no Largo de Alcântara, em Lisboa, 21 de Fevereiro – cerca de 3 mil pessoas concentram-se e destas cerca de um milhar vêm a constituir um cortejo que chegou a percorrer alguns quilómetros pelas ruas da cidade, desfraldando bandeiras vermelhas ao som de “Guerra do Povo à guerra colonial”, “Vinguemos Amílcar Cabral” e “Amílcar Cabral-Ribeiro Santos, o mesmo combate!”
- 1973, 1º de Maio Dia de Luta e Greve – Alguns milhares de trabalhadores, estudantes e soldados descem à rua, Rossio, Restauradores e Praça da Figueira, respondendo à palavra de ordem de: o 1º de Maio é Vermelho! Cerca das 19h20m, o centro da Praça do Rossio, encontra-se já ocupado pelo povo, os polícias encontram-se em dezenas de carros, jipes, carrinhas e alguns blindados, com o famigerado capitão Maltês à frente.
- Nas vésperas , milhares de comunicados, tarjetas, selos e de inscrições murais tinham levado às massas populares as consignas do 1º de Maio: em Lisboa, nos arredores, desde Cascais a Vila Franca de Xira; em diversos pontos da Margem Sul, Cova da Piedade: em Santarém, Leiria e no Porto. Entre os dias 28 de Abril e 2 de Maio, a Pide, a GNR, legionários e polícias à paisana, e a Polícia Militar com cães em rusgas e operações stop, assaltam e revistam inúmeras casas e prendem “preventivamente” várias dezenas de pessoas, nomeadamente em Lisboa e na Margem Sul, e com as prisões efectuadas no 1º de Maio, Caxias viu-se com mais de cerca de 600 presos.
- Várias lutas que, desde os princípios de Março, antecipam a jornada do 1º de Maio: os operários rurais de Alpiarça lançam-se em greve contra os latifundiários, por aumentos de salários, o que não acontecia há mais de 10 anos; estalam movimentos de protesto em bairros pobres e populares da capital, Musgueira, Chelas, Moscavide, Liberdade, Poço do Bispo, Buraca e nos arredores, Quinta das Covas, Casal do Marco, Tires, S. João de Rana.
- Paralisação parcial dos trabalhadores dos Correios, 14 de Março, contra o congelamento dos salários, com concentração no Terreiro do Paço.
- Fins de Março e princípio de Abril, uma importante luta estudantil a escala nacional desencadeia-se, com uma nova característica, a luta é levada para junto do povo e dos operários: manifestando-se contra a militarização fascista da Universidade, centenas de estudantes descem ao Rossio, vão à Picheleira e a Chelas e na Estrada de Benfica, entre a Circular e o Largo, 19 horas, dia 3 de Abril, ostentando bandeiras vermelhas e cartazes com slogans revolucionários, distribuem propaganda às pessoas que passam, apedrejam os bancos, e palavras de ordem são inscritas nas paredes, muros e... nos autocarros da Carris e da “Eduardo Jorge”. Também em Março, importante luta reivindicativa por parte dos enfermeiros dos Hospitais Civis.
- Dia 30 de Abril, 12h30m, Venda Nova, Amadora, vários milhares de trabalhadores metalúrgicos, principalmente da Sorefame, concentram-se na rua, palavras de ordem são gritadas, aparecem algumas bandeiras vermelhas e inscrições surgem nas paredes: “Todos ao Rossio às 19.30!”, “O 1º de Maio é Vermelho!” e “O 1º de Maio é dia de luta na rua e de greve!”
- Dia 1 de Maio de 1973 – Greve na Sorefame e na Cometna, no dia 2 estala a greve na Celcat. Ao meio-dia, numa corajosa e exemplar atitude, algumas centenas de estudantes concentram-se no interior do cemitério da Ajuda e junto à tumba de Ribeiro Santos. Uma bandeira vermelha é deixada na campa.
- “Médice fora de Portugal!”: Visita do Presidente do Brasil a Portugal, a instâncias de Marcelo Caetano. O MPAC denuncia, através de tarjetas profusamente distribuídas, o carácter altamente colonialista desta visita.
- Primeira semana de Junho de 1973, digressão pelo país da companhia de bailado israelita Batsheva Dance Company, subsidiada pelo banqueiro Rotchild, dentro das comemorações da vitória sionista sobre o povo palestiniano, o Egipto e Síria em 5 de Junho de 1967.
- Comemoração do sexto centenário da Aliança Luso-Britânica: “600 anos de afrontas e vexames ao povo português” .
- 10 de Junho, Dia da Raça - “…dia de confraternização e da cultura nacional, é uma data com grandes tradições progressivas e patrióticas” (Avante nº 317, ano 31, série V) ou “Incluímos nas jornadas anti-imperialistas a festa reaccionária do 10 de Junho...” (Do Luta Popular: “Abaixo o chauvinismo! Viva o Internacionalismo!”).
- Espanha, 1 e 2 de Maio, 1973, centenas de milhares de trabalhadores e de anti-fascistas manifestam-se contra a repressão em várias cidades, em Madrid um esbirro da polícia secreta franquista é morto pelo povo espanhol – em Lisboa apela-se à solidariedade com a gloriosa luta dos povos de Espanha.
- Corre sangue na TAP – Dia 12 de Julho de 1973, balas assassinas da polícia abatem cobardemente um operário da TAP, cujo corpo é de imediato sequestrado pela polícia para impedir a sua identificação, e dois outros operários são gravemente feridos: o operário Fernandes da Oficina de Motores e o operário Amaral do Equipamento. Os trabalhadores da TAP lutam pelo aumento imediato dos salários e pela satisfação de outras reivindicações
- Luta pela semana das 40 horas dos operários da indústria electrónica, surgem novas formas de organização dos operários – os Comités Operários – como direcção de luta.
- Salário igual para as operárias , assim como salário igual para todos os operários da indústria electrónica qualquer que seja a empresa onde trabalham, aumento de salários , supressão das horas extraordinárias e supressão dos prémios e multas .´
- Fábricas em luta: Automática (Lisboa e Corroios), Standard (Cascais), Control Data e Signetics (Setúbal), Grundig (Braga), General Instruments Limited (Arruda dos Vinhos), Bruno Janz e Philips (Lisboa).
- Farsa eleitoral do dia 25 de Outubro. Perante o isolamento da camarilha marcelista e à fraca aderência do povo à farsa eleitoral, o P”C”P, instalado na C”D”E, é obrigado a fazer um volte-face da sua política, não comparecendo no último acto da farsa com que zelosamente tinha colaborado.
- Diversas manifestações operárias e populares pelo país fora e na capital. No Porto, no Fundão, na Marinha Grande, Vila Franca de Xira, Alenquer, Torres Vedras, Arruda dos Vinhos.
- Coimbra, 24 de Outubro, à noite, Teatro Avenida, as pessoas presentes numa sessão de propaganda do “Movimento Democrático” foram reprimidas pela polícia que apagou a luz e carregou à bastonada. Surgem comunicados do MRPP com o título: “Começou a farsa eleitoral. Boicotemos activamente as eleições fascistas-revisionistas. O povo vota na rua!”
- 1973, Dia 13 de Novembro - Os estudantes da faculdade de Direito de Lisboa entram em greve pela expulsão dos gorilas da Faculdade.
- Dia 19 de Novembro - O Instituto Superior Técnico é fechado pelo governo fascista-marcelista para, segundo as palavras do director fascista Sales Luís, “tomar um conjunto de medidas impopulares” na tentativa vã de pôr cobro a uma luta tenaz dos estudantes, iniciada no mês de Maio e que teve vários desenvolvimentos ao longo do ano e que acaba por sair vitoriosa.
- A partir do dia 21, a camarilha marcelista, impotente em dobrar os estudantes, ocupa militarmente toda a Cidade Universitária, com centenas de polícias armados de metralhadoras, bastões e granadas lacrimogéneas. A luta extravasa para outras escolas de Lisboa, Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), onde os estudantes decretam greve até 3 de Dezembro, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e de Empresa (ISCTE) e Instituto Superior de Economia (ISE).
- Coimbra, dia 21 de Novembro, 1973, visita do fascista ministro dos Negócios Estrangeiros do governo franquista, Lopez Rodó, que vem fazer o seu doutoramento “Honoris Causa” – 12 horas, mais de oitocentos estudantes concentram-se junto à Faculdade de Letras, enquanto gritam palavras de ordem: “Rodó assassino fora de Portugal!”, “Viva a justa luta dos Povos de Espanha!” e “Abaixo a Guerra Colonial!”, são carregados pela polícia de choque que impede a entrada pela Porta Férrea. Depois da dispersão, os estudantes concentram-se na Cantina onde se realiza um meeting e são aprovados várias moções de apoio à luta dos povos das colónias e de Espanha e de condenação à aliança reaccionária entre as burguesias dos dois países, assim como de apoio à luta dos estudantes do Técnico e de Direito de Lisboa.
- “Kissinger Fora de Portugal!”, 17 de Dezembro de 1973 – Surgem comunicados onde se “conclama o povo português a transformar a humilhação que é a presença em Portugal do enviado imperial Kissinger, numa jornada de luta popular e patriótica contra o imperialismo, o colonialismo e a camarilha ianque-marcelista...” - Grupos de manifestantes concentram-se na Praça Marquês de Pombal defronte do forte dispositivo militar que defende a embaixada ianque; 18h30m, a zona do Marquês e da Rua Castilho é percorrida por manifestantes que apedrejam as instalações de empresas imperialista Mobil, Ibéria, Ford e Selecções Reader Digest.
- Cipriano Martos, operário da construção civil, revolucionário espanhol e militante do PCE (m-I) torturado e assassinado pela Guarda Civil franquista em Tarragona.
- Greves e lutas populares em final de 1973 e princípio de 74: DYRUP (Sacavém) por aumento de salário e contra as horas extraordinárias, ROBBIALLAC (Bobadela) aumento de salários e ocupação da fábrica como resposta à tentativa de black-out patronal, MONDET (Montijo), Eduardo Jorge (Lisboa), SOREFAME (Venda Nova), COMETNA (Venda Nova), todas em greve por aumento geral de salários, SACOR (Leça da Palmeira) em greve de solidariedade contra os despedimentos, IMA (Setúbal) em greve de cera durante duas semanas, FÁBRICA DOS GALEGOS (Beira Baixa) em greve por aumento do salário, FIAÇÃO DO CÁVADO (Braga), os 1 200 operários em luta contra os despedimentos colectivos.
- Manifestações anti-colonialistas convocadas pelo MPAC para o dia 21 de Fevereiro, em Lisboa, Porto e Coimbra.
- Lisboa – Dezenas de milhares de populares enfrentam heroicamente a repressão policial e lançam-se ao contra-ataque, a polícia é repelida (como é obrigado a referir o jornal Expresso, em primeira página) com matracas e barras de ferro. A manifestação faz-se.
- 1º. DE MAIO - Convoca-se o 1º. de Maio Vermelho, por toda a zona da capital e zona industrial, e em algumas das principais cidades do país, aparecem milhares de tarjetas e de comunicados bem como centenas de inscrições nas paredes, os mentores do golpe em preparação, atendendo ao que acontecera no dia 21 de Fevereiro, e com medo de que o regime caia na rua, antecipam-no para o dia 25 de Abril.
(Jornais consultados: “Avante”, “Luta Popular”, “Expresso” e “Diário de Lisboa”).