Tempos de Cólera

Bradley Manning sentenciado em tribunal militar

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por Julian Assange


Hoje Bradley Manning, um denunciante [de actos criminosos], foi culpado por um tribunal militar em Fort Meade por 19 transgressões relativas ao fornecimento de informação à imprensa, incluindo cinco alegações de "espionagem". Ele agora enfrenta uma sentença máxima de 136 anos.


A acusação de "ajudar o inimigo" foi abandonada. Ela apenas foi incluída, parece, para fazer com que chamar o jornalismo de "espionagem" parecesse razoável. Não é.


As alegadas revelações de Bradley Manning mostraram crimes de guerra, atearam revoluções e induziram a reformas democráticas. Ele é a quinta-essência do denunciante.


Esta é a primeira vez que se acusa de espionagem a um denunciante. Trata-se de um perigoso precedente e um exemplo de extremismo em segurança nacional. Trata-se de um julgamento de vistas curtas que não pode ser tolerado e deve ser revertido. Nunca se pode considerar que transmitir informação verdadeira para o público seja "espionagem".


O presidente Obama iniciou mais processos de espionagem contra denunciantes e editores de publicações do que todos os presidentes anteriores somados.


Em 2008 o candidato presidencial Barack Obama concorria com uma plataforma política que louvava a denúncia como um acto de coragem e patriotismo. Aquela plataforma foi completamente traída. O seu documento de campanha descrevia os denunciantes como vigilantes que alertam (watchdogs) quando o governo abusa da sua autoridade. Isto foi removido da internet na semana passada.


Ao longo do processo judicial tem havido uma ausência notável: a ausência de qualquer vítima. O processo não apresenta prova de que – ou mesma uma afirmação de que – uma única pessoa tenha sido prejudicada devido às revelações de Bradley Manning. O governo nunca afirmou que o Sr. Manning estava a trabalhar para uma potência estrangeira.


A única "vítima" foi o orgulho ferido do governo estado-unidense, mas o abuso deste jovem nunca foi o meio de restaurá-lo. Ao invés, o abuso de Bradley Manning deixou o mundo com um sentimento de desgosto ao ver quão baixo caiu a administração Obama. Isso não é um sinal de força e sim de fraqueza.


O juiz permitiu que a acusação alterasse significativamente as acusações depois de a defesa e a acusação terem preparado seus casos, autorizou 141 testemunhas e extensos testemunhos secretos. O governo manteve Bradley Manning numa jaula, retirou-lhe as roupas e manteve-o nu e isolado a fim de quebrá-lo, um acto formalmente condenado pelo Inspector-Geral das Nações Unidas como tortura. Isto nunca foi um julgamento justo.


A administração Obama tem estado a escavar liberdades democráticas nos Estados Unidos. Com a sentença de hoje, Obama cortou muito mais. A administração está concentrada em impedir e silenciar denunciantes, concentrada no enfraquecimento da liberdade de imprensa.


A primeira emenda [da Constituição] declara que "O Congresso não fará qualquer lei... restringindo a liberdade de discurso ou de imprensa". Será que Barack Obama não entendeu a parte do "não"?


30/Julho/2013


O original encontra-se em wikileaks.org/Statement-by-Julian-Assange-on.html 


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DIÁRIO DA GUERRA NO AFEGANISTÃO


Com o título: 'Diário da Guerra no Afeganistão', o site wikileaks.org publicou no domingo, 25 de Julho, mais de 91 mil relatórios que cobrem a guerra no Afeganistão entre os anos de 2004-2010. O arquivo pode ser acessado na página especial: http://wardiary.wikileaks.org/.


"Os relatórios, embora escritos por soldados e oficiais da inteligência, descrevem principalmente acções militares letais envolvendo o exército dos Estados Unidos, também inclui informações de inteligência, relatórios de encontros com personalidades políticas e outros detalhes relacionados.", diz a nota no site. Eles também avisam que há mais 15.000 relatórios que estão sendo analisados no momento e que serão publicados em breve.


Até agora, esse é o relato mais completo que se pode obter sobre a guerra no Afeganistão. São cerca de 140 incidentes com milhares de mortes de civis inocentes. Numa rápida análise dos documentos já é possível identificar casos onde civis foram mortos e o caso mantido em segredo. Por exemplo, em Junho de 2007, numa operação do comando Task Force 373 para capturar/matar um líder do Taliban, o documento classificado como 'secreto' relata que 7 crianças foram mortas nesta operação.


Agora essa informação está livre e na internet, são mais de 200.000 página disponíveis para qualquer pessoa pesquisar e aprender a verdade sobre a guerra no Afeganistão. O jornal The Guardian, criou uma página na internet com várias formas para visualizar os dados dos mais de 91 mil registros publicados. Há um mapa interativo que você pode visualizar o local onde cada incidente ocorreu. Na pagina especial do site WikiLeaks há várias formas de você pesquisar os dados, por tipo de relatóriocategoriagravidade (medida pela quantidade de mortos), dataregião afiliação.


Mais uma vez o site WikiLeaks prova que sua existência é de extrema importância para a população mundial, para que essa tome conhecimento de crimes como estes que muitas vezes não são noticiados nos grandes meios. É provável que se não fosse a existência de um lugar como a WikiLeaks na internet, que proporcione uma infraestruturas para aqueles que querem denunciar tais crimes, demoraríamos décadas para descobrir a verdade sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque e sobre outros casos também.


Leia a matéria completa:


Nota publicada do site WikiLeaks sobre os relatórios [Wikileaks] Siglas e abreviaturas militares: o que elas significam.


Wikileaks publica mais de 90 mil registros sobre a guerra no Afeganistão


in http://www.midiaindependente.org/pt/blue/

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